Por que as grandes empresas não conseguem inovar? EN

Quando uma corporação entende que precisa inovar, ela compreende que está dando um primeiro passo muito importante para o seu futuro. Porém, muitas dessas empresas não sabem como realizar essa inovação e como aproveitar da melhor maneira os benefícios que essa decisão traz.

Uma das dificuldades é perceber as inúmeras vantagens que a inovação aberta traz em relação à chamada inovação fechada. Nesse caso, um segundo passo é confiar que a busca por expertise e agilidade “fora de casa” é um caminho que pode levar essa organização ao tão sonhado aumento de competitividade ou à aquisição de fatias maiores de mercado.

  • Entenda a diferença entre inovação aberta e inovação fechada no nosso artigo “Inovação aberta: o que é, como funciona e principais benefícios”.

O que atrapalha a inovação nas empresas?

A vontade de inovar deve partir de todos em uma corporação. Para Andrew Humphries, cofundador da The Bakery UK, com sede em Londres, na Inglaterra, essa importância deve ser expressada de cima para baixo.

Porém, mesmo quando isso ocorre, há uma barreira cultural no mundo corporativo, o que inclui o Brasil, que tem como premissa resolver todos os seus problemas internamente. Soma-se a isso a ideia de que as pessoas só servem para uma única função, aponta o britânico.

Mudar essa mentalidade e se abrir para o novo é sinônimo de proteção futura para os interesses de uma companhia. Quem se manter trancado à ideia de que “sempre fizemos assim e vamos continuar fazendo assim”, pode não conseguir acompanhar as exigências do mercado com o passar do tempo.

inovação grandes empresas

A partir do momento que a decisão de mudança por meio da inovação acontece, fica mais fácil perceber um horizonte favorável. É quando entra o obstáculo relacionado à complexidade em entender como realizar essa inovação.

Poucas empresas estão preparadas para inovar

Segundo números do Boston Consulting Group, apenas 20% das organizações estão preparadas para escalar a inovação e implantar soluções com eficiência. A afirmação está disponível no último relatório do BCG intitulado Most Innovative Companies 2021: Overcoming the Innovation Readiness Gap.

Em outras palavras, segundo o estudo, essa é a porcentagem de empresas em todo o mundo que construíram sistemas de inovação de alto desempenho que podem transformar aspirações ambiciosas em resultados reais.

inovação grandes empresas

Felipe Novaes, cofundador da The Bakery Brasil, tem uma visão clara sobre um dos motivos que mais colaboraram para esse baixo número citado.

Em seu artigo Por que apenas 20% das empresas estão preparadas para acelerar e inovar?, publicado pelo portal Startupi, ele compartilhou seu pensamento de maneira direta:

Felipe Novaes The Bakery

Felipe vai mais além ao expor uma decisão errônea no momento de definir uma estratégia certeira e muito bem estudada na hora de inovar:

Felipe Novaes The Bakery

Como as empresas devem agir?

Para Andrew e Felipe, ao assumir a necessidade de inovar, é preciso, então, analisar os obstáculos culturais do mercado no qual se está inserido. Depois, estruturar uma estratégia a qual as pessoas possam entender e se conectar.

A busca pela sustentabilidade é outro fator de procura por inovação pelas corporações que deve ser levado em consideração. Essa tem sido uma pauta muito discutida dentro de grandes corporações no país ultimamente. Investir nesse tema, o que se conecta diretamente à ESG, tem feito toda a diferença na decisão de compra dos consumidores.

  • Saiba mais em nosso artigo “O que é ESG e sua importância para as empresas”.

A The Bakery, potencializada por uma rede global de empreendedores, ajuda grandes empresas a solucionar seus desafios por meio de soluções customizadas de inovação. Para a corporação se destacar com inovação orientada a resultados, são consideradas:

  • As particularidades da empresa;
  • As reais dores e necessidades da corporação;
  • As oportunidades de negócios para a companhia.

Além disso, fazemos uso de metodologias consolidadas para acelerar e impulsionar os resultados de inovação dentro das grande empresas, tais como:

  • Estratégia de inovação e transformação digital;
  • Gestão, governança e alocação de times;
  • Programas de inovação aberta;
  • Corporate Venture Building (CVB);
  • Corporate Venture Capital (CVC).

Saiba como impulsionar os resultados de inovação através de CVB e CVC em nossos artigos “Corporate Venture Building: o que é e como funciona” e “Corporate Venture Capital: o que é e como funciona”.

Inovação nas pequenas empresas

É válido destacar que não só as grandes corporações devem se preocupar em inovar. As empresas menores também precisam estar atentas a sua sobrevivência em um futuro próximo.

Uma pesquisa com 500 executivos, realizada pelo Instituto FSB Pesquisa e publicada no final do ano de 2021 pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostrou que há algo a se comemorar no país. O estudo apontou que 82% das pequenas indústrias, que possuem entre 10 e 49 empregados, já inovaram pelo menos uma vez nos últimos 3 anos.

Destas, 68% inovaram durante o período de pandemia e apresentaram aumento de lucro, produtividade e competitividade. Esse impacto positivo se deve diretamente à adoção de novas tecnologias.

Por outro lado, corroborando com as perspectivas apontadas por Felipe e Andrew quanto às grandes corporações, a dificuldade em inovar também se faz presente entre as pequenas empresas. Afinal, a maior parte delas não dispõe de estrutura para inovar. Em suma, 68% não contam com uma área de inovação e 76% não possuem profissionais específicos e nem orçamento para atuar nesse campo.

Ao se basear exclusivamente no momento pandêmico, 45% das pequenas empresas encontraram obstáculos que as impediram de inovar. A boa notícia é que o processo, naquele intervalo de tempo, melhorou para 19% das companhias que antes consideravam difícil inovar. Enquanto 36% disseram que a dificuldade continuou a mesma.

inovação grandes empresas

inovação grandes empresas

Amadurecimento do ecossistema brasileiro

Embora os números vistos neste artigo indicam que o Brasil está um tanto quanto distante ainda do mínimo ideal, Andrew Humphries acredita que o país está chegando lá. Na sua visão, tem surgido cada vez mais espaços de inovação em que as grandes empresas têm se envolvido.

Soma-se a isso a presença das startups, citadas pelo britânico, que têm colaborado demais para acelerar a inovação dentro dessas corporações. Hoje, uma organização que investe em alguma startup não espera apenas o retorno financeiro a longo prazo. Ela quer, principalmente, beneficiar-se do retorno estratégico que esse investimento irá lhe oferecer.

Entre os benefícios estão o acesso a(o):

  • Inovações que aumentam sua competitividade;
  • Novos mercados ou se manter forte no mercado atual;
  • Amplo networking que uma startup possui;
  • Canais e tecnologias disruptivas, sem necessariamente haver uma mudança na atual estrutura da organização;
  • Tendências dos negócios principais e adjacentes da empresa;
  • Novos talentos do mercado.

Para muitas corporações, a grande jogada para acelerar a inovação tem sido apostar na estratégia voltada ao Corporate Venture Capital (CVC).

Mas esse é um assunto para um outro artigo. Sendo assim, não deixe de ler o texto “Corporate Venture Capital (CVC): o que é e como funciona”. E continue a entender o que as empresas brasileiras precisam fazer para melhorar seu conhecimento em inovação.

ebook inovação aberta