Sustentabilidade Ambiental Para Embalagens: O Desafio do Plástico - The Bakery %

Sustentabilidade Ambiental Para Embalagens: O Desafio do Plástico

Marcone Siqueira

Autor: Danilo Araujo, Strategist

E se os sachês de maionese e catchup pudessem ser feitos a base de plantas (seaweed) que crescem até 2 metros por dia? E se garrafas PET fossem feitas a partir de biomassa e se tornassem biodegradáveis em curto prazo? E se existisse uma substância que quando injetada no processo de fabricação do plástico, diminuísse seu tempo de decomposição para apenas 5 anos?

Todas essas possibilidades já foram desenvolvidas e seus inventores ganham cada vez mais espaço como fornecedores de grandes corporações por todo globo. Invariavelmente caminhamos – ao menos no médio e longo prazo – para o uso de embalagens mais “verdes” e este é, sem dúvida, um passo muito importante em nome da sustentabilidade ambiental, social e econômica tão pretendida por governos, empresas e pelo mundo todo.

Mas será mesmo este o único caminho que devemos seguir? Sendo mais claro: A substituição do plástico por materiais biodegradáveis ou compostáveis é a saída definitiva em nome da sustentabilidade?

Provavelmente não. Mas entender o porque disso e decidir pela rota mais acertada é desafio bastante complexo.

Sintetizado no começo do século XX, com seu uso em massa tendo um salto exponencial a partir da década 1950, o plástico se mostrou um material único. Suas propriedades são as mais variáveis, podendo funcionar como barreira física, de umidade e temperatura. As finalidades que lhe são atribuídas são ainda mais diversas: a medicina e sua necessidade de materiais estéreis; embalagens e a necessidade de materiais resistentes e leves; aviação e aeronáutica, automobilismo e o dia-a-dia. As bactérias não o decompõe; os vírus não passam através dele. E o mais importante de tudo para seu uso ter se popularizado tanto: o plástico é barato.

E exatamente por isso seu uso é indiscriminado.

Se em aviões ou naves espaciais seus ganhos de leveza estão associados a um uso de longo prazo das partes plásticas, o mesmo não pode se dizer de garrafas d’água, sacolinhas e dos famigerados sachês de catchup: seus destinos invariavelmente são o lixo da cozinha ou, quando muito, a lata de cor vermelha para ser direcionado à reciclagem. Ou seja, nos são úteis apenas uma vez. E ainda assim vão continuar a existir por centenas de anos, aterrados sanitariamente, degradando em uma área de conservação ou mesmo intoxicando um animal que acidentalmente tenha os ingerido. Para além dos problema relacionados à pegada de carbono e ao efeito estufa, o plástico de uso único (do termo em inglês Single Use Plastic) é especialmente nocivo devido ao alto volume de produção envolvido em detrimento da quantidade de vezes que é usado antes de seu descarte.

A biomassa para produzir um tipo de material que vai se degradar num prazo menor com uma quantidade de carbono produzida menor faz parte da solução? Sem dúvida. 

Uma startup suíça que vem aplicando aditivos a biomassa que permitem que o seu fracionamento produza moléculas estáveis de lignina, celulose e hemicelulose. A hemicelulose em especial é um polímero que pode substituir o polietileno como material de fabricação de um sem número de embalagens. Tais usos para a biomassa não soam tanto como novidade, porém a pureza e quantidade destas moléculas derivadas do fracionamento permitem uso economicamente viável. 

O mesmo vale para a embalagem de maionese feita a partir de alga marinha. A ideia surgiu em 2013 como um projeto ambicioso de pesquisa acadêmica da Imperial College de Londres e do Royal College of Arts. A abordagem dessa startup consiste em enxergar produtos tão comumente consumidos em nosso cotidiano como se fossem frutas, ou seja, “produtos” naturais concebidos para terem uma duração específica e se decomporem no meio ambiente sem deixar rastros prejudiciais no solo, nos rios ou oceanos. A esse conceito aplicado aos produtos, uniram a tecnologia que permite desenvolver filmes para embalagens a partir de algas marinhas, a seaweed. Tais embalagens de seaweed, denominadas Ooho, são capazes de conter pequenas amostras de shampoos líquidos, condimentos como ketchup, mostarda e maionese, destilados como uísque, água, sucos… Ou seja, uma infinidade de produtos, desde que, assim como as frutas, sejam feitas para serem consumidas num prazo determinado e em doses únicas.

Ou ainda para o plástico aditivado com compostos bioquímicos que facilitarão sua degradação.

Existe também uma empresa britânica que desenvolve um novo padrão em plásticos biodegradáveis e compostáveis. Possui formulações de aditivos bioquímicos que permitem um processo que denominam Biotransformação, que torna possível a determinação de um período de degradação para plásticos – sejam 9 meses ou 5 anos. Tais aditivos tornam as moléculas do plástico suscetíveis a ação bacteriana no prazo determinado, levando a degradação no meio ambiente – sem deixar resíduos como o microplástico.

Contudo, estas abordagens continuarão a legitimar um método de consumo que por si só é degradante e não sustentável – ao menos para a saúde de nosso planeta como a concebemos hoje.

E é por isso que, associada à mudança da matéria prima de que se origina nossas embalagens, é importante que também consideremos uma forma realmente sustentável de consumo que implique – no mínimo – numa utilização muito menor de embalagens de uso único, associada a preceitos de economia circular. Isto implicaria num consumo consciente e racional, com maior compartilhamento e uso de longo prazo dos produtos, com embalagens desenhadas para descarte sem danos ao meio ambiente ou para reutilização.

Abordaremos mais sobre logística reversa e economia circular num segundo artigo sobre este desafio.

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