ESG: o que é e porque estar atento a essa sigla  - The Bakery %

ESG: o que é e porque estar atento a essa sigla 

Mariana Alves

Mais investidores, comportamento dos clientes e consumidores, regulação dos países e geração de retorno são alguns dos motivos

 

ESG (Environment, Social e Governance, em inglês) é uma sigla que representa os pilares pelos quais uma empresa deve se orientar para promover projetos e iniciativas que minimizem seus impactos socioambientais e garantam a sua própria conservação no mercado.

Em um movimento crescente, os investidores têm utilizado essa métrica como um dos critérios, além dos índices financeiros, para analisar o potencial e a solidez das companhias. As grandes corporações já perceberam que uma forma eficiente de se encaixar nesses parâmetros é por meio da inovação aberta, construindo um relacionamento com startups, o que torna a adoção de novas práticas mais fácil, eficaz e ágil.

Essa avaliação não está ligada a produtos, mas, sim, a processos que uma organização cria a fim de adotar e manter práticas mais sustentáveis. Apesar do movimento ESG estar crescendo em todo o mundo, inclusive no Brasil, é um conjunto de práticas antigas.

Sua história começa na década de 1970 com a criação do Investimento Sustentável e Responsável (SRI, sigla em inglês). Nesse momento, os fundos de investimento entenderam que não era mais possível ignorar a falta de preocupação que as companhias tinham em seu entorno. Dessa forma, eles passaram a considerar fatores sociais na hora de escolher em quais negócios iriam investir os seus recursos.

Durante a década de 1980, as catástrofes ambientais e desastres, como o de Chernobyl, expuseram a importância de também considerar como as ações das empresas impactam diretamente o meio ambiente. Somente após uma publicação do Pacto Global, em parceria com o Banco Mundial, em 2004, é que os pilares ESG surgiram oficialmente.

Porque estar atento às ações ESG

Cada vez mais investidores, consultores, bancos e fundos têm utilizado os índices ESG para avaliar as empresas segundo seus impactos. Isso acontece não somente por conta do histórico já citado, mas também devido às mudanças na forma de consumir.

Atualmente, os clientes, principalmente das novas gerações, prezam não somente por adquirir um produto ou serviço de qualidade, mas avaliam a postura da companhia em relação ao meio ambiente, à sociedade e à forma de gestão.

Todos esses comportamentos impactaram o mercado, ressaltando a importância de as empresas passarem a se preocupar com esse conjunto de práticas. Assim, essas práticas ditam a sobrevivência das empresas ao longo do tempo, ou seja, aquelas que não se adequam tendem a ter uma menor aceitação e, consequentemente, menor longevidade.

No cenário brasileiro, por conta da grande porcentagem de florestas, a maior do mundo, o país está sempre em meio a debates de sustentabilidade. Dados mostram que o Brasil está atento à ascensão ESG e percebendo que é essencial investir em negócios que vão além do lucro.

Startups brasileiras com soluções focadas em práticas ambientais, sociais e de governança receberam, desde 2011, investimentos de cerca de US $991 milhões. Sendo que, aquelas ligadas às questões sociais receberam a maior parcela dos investimentos (70,60%). Em segundo estão as relacionadas à governança (21,15%) e, em terceiro, as ligadas ao meio ambiente (8,25%)

Outro ponto é que a regulação em diversos países tem forçado os tópicos desse conceito na agenda dos investidores. Além de bolsas de valores ao redor do mundo terem incluído requisitos ESG ainda mais rigorosos para as empresas se manterem listadas, gestores de fundos têm adotado a agenda como critério-chave para a escolha de seus investimentos. Ou seja, não se adequar a esse movimento pode representar perda de capital.

O que significa ESG?

sigla ESG significa Environmental, Social and Governance, que, em português, são Ambiental, Social e Governança (ASG).

E (Environmental/Ambiente)

Aqui, estão as ações de uma organização relacionadas à conservação do meio-ambiente. Por exemplo, uso de recursos naturais, emissões de gases de efeito estufa (CO2, gás metano), eficiência energética, poluição, gestão de resíduos e efluentes.

Uma companhia pode se adequar a essa categoria aderindo às práticas tais quais:

  • Desenvolver embalagens recicláveis, ou que utilizem menos plástico;
  • Usar materiais reciclados no escritório e digitalizar o que for possível para reduzir desperdícios;
  • Usar energias limpas e renováveis, que não emitam poluentes, como a eólica e a solar;
  • Fazer a destinação correta de resíduos e efluentes.

Para se adequar ao parâmetro da letra E, o Boticário anunciou, em dezembro de 2020, a primeira emissão de títulos verdes atrelados a metas de sustentabilidade do país para a gestão de resíduos. Além disso, a empresa também já aboliu a realização de testes cosméticos em animais há mais de duas décadas.

S (Social)

A letra S diz respeito à relação da corporação com as pessoas que fazem dela e também com a comunidade. Aqui, entram ações como políticas e relações de trabalho, inclusão e diversidade, engajamento dos funcionários, treinamento da força de trabalho, direitos humanos, relações com comunidades, privacidade e proteção de dados.

Dentre as práticas que uma empresa pode ter para aderir a essa categoria, ela pode:

  • Permitir que as mulheres conciliem carreira e maternidade, oferecendo um ambiente propício para tal;
  • Privilegiar o diálogo entre colaboradores e líderes;
  • Realizar projetos sociais com a comunidade local;
  • Promover ou patrocinar eventos culturais e sociais.

O processo que a Ambev adotou de produção de álcool em gel e oxigênio é um exemplo de como uma empresa, por meio de um conjunto de ações, pode se adequar aos critérios ESG. Durante a primeira onda da pandemia, em 2020, a corporação adaptou uma fábrica no Rio de Janeiro para produzir álcool em gel. Com a segunda onda, a Ambev transformou uma outra fábrica, no interior paulista, em uma usina de oxigênio para hospitais. Além disso, ela também doou equipamentos de proteção, como máscaras, para profissionais na linha de frente do combate ao vírus.

G (Governance/Governança)

Essa categoria está relacionada à administração da companhia, por exemplo a sua conduta corporativa, a relação com governos, a existência de um canal de denúncias.

Algumas ações que podem ser feitas para a letra G são:

  • Ter um conselho administrativo que priorize membros que não são contratados pela empresa;
  • Contratar fornecedores e colaboradores terceirizados que tenham integridade;
  • Ter uma hierarquia bem definida, com cargos e funções determinados;
  • Ter transparência, tornando públicas as principais informações.

Um exemplo é o compromisso que o Grupo Fleury assumiu de incluir mais mulheres nos cargos de liderança é uma forma de se enquadrar aos parâmetros ESG, dessa forma, a empresa trouxe uma maior diversidade, representatividade oportunidades iguais para os funcionários de ambos os sexos. Além dessa ação, a empresa encontrou outro modelo de práticas de governança a partir da criação de um grupo de colaboradoras para realizar reuniões periódicas a fim de discutir e impulsionar mudanças nas posições de liderança feminina.

Inovação aberta e ESG

Quando se fala de ESG não necessariamente precisa estar atrelado aos quesitos ambientais. Podemos tratar de soluções para melhorar ou implantar processos internos ligados às questões de RH, logística, energia, entre outros.

Porém, desenvolver processos de maneira totalmente interna pode ser custoso, demorado e arriscado. Por isso, diversas corporações perceberam que trabalhar com startups ligadas às questões de impacto é o caminho mais eficiente e rápido para trazer soluções ESG e, por essa razão, optam pela inovação aberta para se adequar às práticas.

Para essas grandes empresas, o benefício está em investir em uma solução que já foi testada e aprimorada pelo empreendedor. Ou seja, a companhia passa a ter uma iniciativa ESG sem precisar desenvolver um projeto do zero.

Já para a startup, a principal vantagem é o investimento recebido, que aumenta o seu potencial de crescimento. Fora isso, também há o ganho com a troca de experiência e devido à expertise da corporação.

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