Inovação aberta na saúde: um caminho para a transformação do cenário brasileiro - The Bakery %

Inovação aberta na saúde: um caminho para a transformação do cenário brasileiro

Mariana Alves

Inovar a partir de recursos externos à organização pode trazer mais eficiência e ajudar a atender melhor às necessidades dos pacientes

 

No atual contexto de mundo, a inovação aberta na saúde se mostrou um importante caminho a ser seguido por indústrias, clínicas, hospitais e outros players envolvidos no setor. Isso porque, com essa abordagem, é possível resolver grande parte dos problemas que a área enfrenta de maneira mais efetiva, com maior velocidade e menores custos e riscos.

Henry Chesbrough, professor da universidade de Berkeley, em 2003, cunhou o termo “inovação aberta” (open innovation), que propõe a colaboração entre startups, empresas, indivíduos e órgãos públicos com o objetivo de descentralizar a inovação. Essa parceria pode gerar diversos benefícios, tais quais:

  • redução do tempo entre o desenvolvimento de produtos/serviços e sua comercialização;
  • criação de negócios para atender novos mercados e públicos;
  • incentivo para inovar internamente;
  • minimização dos riscos de rejeição da solução criada;
  • geração de ideais e base de conhecimento;
  • diminuição de custos em diversas etapas.

De acordo com o professor, “inovação aberta é o uso de fluxos de conhecimento internos e externos para acelerar a inovação interna e expandir os mercados para o uso externo de inovação, respectivamente.”

Ou seja, é utilizar diferentes fontes externas a fim de alcançar os diferentes objetivos da empresa, no que tange ao aperfeiçoamento de processos ou do acompanhamento do ritmo do mercado. No caso da área da saúde, a inovação aberta possibilita ampliar a quantidade de soluções que, realmente, agreguem valor por meio da visão de todas as pessoas diretamente envolvidas no cuidado e no bem-estar. Assim, as melhorias pensadas podem aprimorar a experiência do paciente, o atendimento médico e os outros processos relacionados aos tratamentos.

A importância da inovação aberta na saúde

Tradicionalmente, as empresas desse setor tendem a seguir uma linha mais conservadora, o que é justificável devido à grande responsabilidade que carregam, o número massivo de pessoas atendidas e o alto grau de regulamentação da área. Entretanto, isso tem causado diversos problemas, tanto no âmbito de gestão quanto na percepção dos pacientes sobre os serviços prestados. Esse contexto, juntamente com o acesso à informação, fez com que as pessoas passassem a não só desejar um atendimento de melhor qualidade, mas também a receberem assistência mais personalizada, ágil e acessível. Dessa forma, a inovação aberta contribuiu para que as instituições enxergassem a necessidade de contarem com a inovação aberta como aliada nos seus processos.

As empresas de tecnologia focadas exclusivamente na saúde da mulher, por exemplo, têm recebido importantes investimentos na última década. Dentre as soluções desenvolvidas por esse tipo de organização, estão serviços que permitem o monitoramento da menstruação e fertilidade, os quais visam facilitar o acompanhamento de questões comuns para as mulheres nas fases da gravidez, da amamentação e da menopausa. Além disso, as ‘FemTechs‘ – startups e empresas de tecnologia criadas para atender às necessidades de saúde femininas – focam também em questões mais complexas, como prevenção e controle do câncer, principalmente, o cervical e o de mama. A MobileODT, por exemplo, usa smartphones e inteligência artificial para fazer a triagem de câncer cervical. A previsão é que até 2024, o mercado das FemTechs alcance uma receita de 1,1 bilhão de dólares, crescendo 12,9% por ano.

Como a inovação aberta pode transformar o setor de saúde brasileiro

No país, o setor tem uma série de características e particularidades bem definidas. Compreender as dores e oportunidades é essencial para inovar e se manter no mercado.

O primeiro ponto deficitário na saúde brasileira que precisa de atenção e pode ser melhorado pela inovação aberta é o acesso à prevenção e a tratamentos. A realidade de ter um bom atendimento e de fácil acesso em todos os locais do país ainda está longe de acontecer. Além disso, a inovação aberta permite que companhias unam forças com players com relevância local, regional, ou que acessam seus clientes por canais que ainda não dominam. Com isso, acessam e exploram públicos dentro ou além dos seus mercados.

O segundo ponto no qual a inovação aberta pode auxiliar é ao trazer respostas mais rápidas e personalizadas. No atual contexto da pandemia, empresas, como as HealthTechs, revisitaram as barreiras do serviço de saúde brasileiro e desenvolveram soluções ou adaptaram tecnologias existentes para elevar o empoderamento dos pacientes. Ou seja, nesse cenário, a inovação aberta pode adicionar ferramentas para  autocuidado, prevenção e, ao mesmo tempo, para acessar o paciente pelos seus canais de preferência.

Esses recursos também representam ganhos para os profissionais de saúde e gestores hospitalares. Isso acontece porque, na maioria das vezes, essas tecnologias são mais eficazes na compilação, armazenamento e análise de dados indispensáveis para otimizar a rotina médica, auxiliando, inclusive, na previsibilidade de padrões.

Inovação aberta na saúde

A inovação aberta na área da saúde acontece por meio da colaboração entre duas ou mais empresas em uma parceria comercial. A parceria pode se dar, por exemplo, entre instituições privadas de saúde e startups, instituições públicas de saúde e empresas privadas, ou, até mesmo, entre instituições, públicas ou privadas, e o público em geral. Independentemente do formato, o objetivo é tornar a inovação mais rápida, escalonável e solucionar as necessidades dos pacientes, inclusive em relação à compatibilidade financeira.

Para tal, o ideal é que o processo de desenvolvimento envolva especialistas em diversas áreas. Isto é, que o time seja multidisciplinar. Assim, a parceria entre grandes empresas com startups traz oxigenação, novas ideias, agilidade na adoção de estratégias digitais e formas de criar e sustentar uma cultura de inovação. Para as startups, o principal benefício é desenvolver parcerias que apoiem o crescimento e alcance das ideias e projetos criados.

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