Inovação em tempos de crise - The Bakery Brasil

Inovação em tempos de crise

Marcone Siqueira

Autor: Danilo Araujo, Strategist

Quarentenar

Não tem sido fácil para ninguém. Acompanhar no noticiário a progressão dos números relacionados a Covid-19 – ora os relacionados ao ritmo de contágio e aos estragos causados em nosso sistema de saúde, ora os ligados à economia e emprego – jamais deixa de ser uma tarefa árdua e muitas vezes entristecedora.

Ainda assim, avançamos muito em nossa capacidade de manter as coisas funcionando. O home office deixou de ser uma exceção para tornar-se a regra de segurança primordial de muitas empresas. Uma incontável quantidade de tecnologias passou a figurar como lugar comum em nossa rotina: o Zoom, o Teams, o Meet. Ferramentas para mantermo-nos ativos fisicamente dentro de casa e serenos mentalmente para dormir em nossa novíssima sala oficial de reuniões tornaram-se fundamentais. A Telemedicina foi regulamentada em regime de urgência pelas casas legislativas – porquanto durar o estado de pandemia; a expansão do EaD tornou-se uma demanda mesmo àqueles que mais resistiam à essa modalidade de ensino. E cá estamos lutando, nos adaptando e fazendo o necessário para manutenção de nossa sociedade.

E isto revela muito sobre nossas capacidades enquanto seres humanos. O objetivo deste texto é destacar a nossa capacidade de adaptação. Adaptação para continuarmos produtivos. Adaptação de nossas cadeias produtivas. Adaptação para prosseguirmos criando, inovando e, sem dúvida, para combatermos o vírus que nos colocou neste estado.

Ter calls nunca foi tão comum

Tanto que os sinônimos em português do termo importado estão cada vez mais ganhando força – palavras como videoconferência, chamada de vídeo e reunião. O mesmo vale para as diferentes plataformas que oferecem serviços do tipo. O Zoom, exemplo mais notável, passou de 10 milhões de usuários em dezembro de 2019 para 200 milhões ao final de março deste ano. Mesmo o governo americano já gastou mais de US$ 1,3 milhões com o serviço ilimitado da plataforma. O Google disponibilizou gratuitamente (até 30 de setembro) sua plataforma integrante do GSuite “Meet” para reuniões com até 100 pessoas. Vários outros serviços ainda estão surfando essa onda, como o Jitsi Meet e suas salas gratuitas com encriptação de ponta-a-ponta. Então, não, jovem inovador, você não poderá se desfazer de sua camiseta descolada apontando que Essa Reunião Poderia Ter Sido Um E-mail.

Nosso jeito de consumir

Que já caminhava a passos relativamente largos para o e-commerce, agora se consolida em torno de apps e websites, seja para aproveitar promoções e cupons, seja por que de outra maneira você compraria um colchonete para fazer exercícios no chão de sua sala? 

Ainda relacionado ao e-commerce, causou furor a capacidade da Via Varejo conseguir manter 70% de sua receita pré-lockdown mesmo com 80% de suas lojas físicas fechadas no país. O desenvolvimento da ferramenta “Me chama no Zap”, permitindo manter em atividade seus vendedores trabalhando de casa, tem inclusive adquirido cada vez mais relevância na experiência de compra on-line. Em junho eram 9000 funcionários da VIa Varejo usando o Whatsapp para vendas.

Mais diretamente ligado ao Covid-19

As inovações saltam os olhos diariamente. Na USP o time que desenvolvia o ventilador Inspire completou testes em pacientes e aguarda autorização da Anvisa para escalar sua produção. O custo do Inspire (15x mais barato) é uma pechincha se comparado com os modelos comuns de mercado, e parece ainda menor quando pensamos que a falta de respiradores é um gargalo sério da saúde pública brasileira ao mesmo tempo que esta mesma falta foi responsável por vitimar milhares de pessoas em países como a Itália. Em Minas, a adaptação se deu com os testes, com o governo determinando a orientação de máquinas que antes faziam testes de HIV e Tuberculose para fazer a testagem de amostras de suspeitas de Covid-19. A Fiocruz do Paraná  já havia produziu e distribuiu mais de 90 mil kits de testes para o Covid-19 e trabalha hoje para facilitar a detecção do vírus em amostras sem a necessidade de mandar para processamento os testes realizados a laboratórios super especializados.

O ozônio possui grande capacidade para inativar vírus num ambiente fechado e existe tecnologia brasileira para produção de máquinas que o disseminem em quartos de hospitais e num prazo de 45 minutos os tenhamos de forma eficaz livres de agentes contaminantes, sejam fungos, bactérias ou o Sars-CoV-2. Além disso, indústrias com capacidade produtiva ociosa devido à diminuição do consumo se dispuseram a adaptar suas linhas de produção conforme a necessidade de mais fabricação deste tipo de aparelho.

Por fim, em todo território nacional observa-se iniciativas de pessoas que possuem impressoras 3D passarem a produzir protetores faciais (faceshields), um tipo de equipamento de proteção individual (EPIs) fundamental para profissionais da área da saúde, que protege as vias aéreas, impedindo o contato direto com fluidos de pacientes infectados pelo novo Coronavírus. Ainda que estes EPIs não dispensem o uso de máscaras, a Anvisa recomenda seu uso como maneira de minimizar as chances de contágio. A Fablab e Projeto Hígia têm formado redes para produção de faceshields e distribuição para profissionais da saúde em todo Brasil.

Desafios 

A Covid-19 nos impõe desafios, perdas e dificuldades sem precedentes, e talvez nosso modo de vida tenha de ser adaptado por um período relevante de tempo ainda porvir. Mas com o uso racional de tecnologia para o bem, incentivo à inovação e a soluções que atenuem os impactos negativos que o vírus tem causado, podemos superar as adversidades e sairmos de mais essa crise.

 

 

 

Bibliografia: estado de minas (2020); Forbes Brasil (2020); Brazil Journal (2020); G1(2020); Portal Fiocruz (2020); Portal Hypeness (2020); Folha de S. Paulo (2020); Agencia de notícias do Paraná (2020); 

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