O que é ESG e sua importância para as empresas

ESG (Environment, Social e Governance) é uma sigla que, traduzida para o português, significa Ambiental, Social e Governança. Essa métrica representa os pilares da sustentabilidade, pelos quais uma empresa deve se orientar para promover projetos e iniciativas que minimizem seus impactos socioambientais e que garanta a sua própria conservação no mercado.

Em um movimento crescente, os investidores têm utilizado o ESG como um dos critérios, além dos índices financeiros, para analisarem o potencial e a solidez das companhias. As grandes corporações já perceberam que uma forma eficiente de se encaixar nesses parâmetros é por meio da inovação aberta. Isso significa construir um relacionamento com startups, o que torna a adoção de novas práticas mais fácil, eficaz e ágil.

Essa avaliação não está ligada a produtos, mas sim a processos que uma organização cria a fim de adotar e manter práticas mais sustentáveis. Apesar do movimento ESG estar crescendo em todo o mundo, inclusive no Brasil, esse é um conjunto de práticas antigas.

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A história do ESG

Os primórdios do ESG remetem à década de 1970 com a criação do Investimento Sustentável e Responsável (SRI, sigla em inglês). Naquele momento, os fundos de investimento entenderam que não era mais possível ignorar a falta de preocupação que as companhias tinham em seu entorno. Dessa forma, eles passaram a considerar fatores sociais na hora de escolher em quais negócios iriam investir os seus recursos.

Durante a década de 1980, catástrofes e desastres, como a de Chernobyl, expuseram a importância de entender como as ações das empresas impactam diretamente o meio ambiente. Somente após uma publicação do Pacto Global chamado Who Cares Wins, em parceria com o Banco Mundial, em 2004, é que os pilares ESG surgiram oficialmente.

Passados todos esses anos, é possível dizer que atuar de acordo com os padrões ESG amplia a competitividade do setor empresarial, seja no mercado interno ou externo.

O que é ESG na prática?

Já vimos que a sigla ESG quer dizer Environmental, Social and Governance, ou Ambiental, Social e Governança (ASG), em português. Agora, vamos entender o significado de cada uma dessas três ações, com exemplos reais.

O que é ESG: E (Environmental/Ambiental)

A letra E está ligada às ações de uma organização relacionadas à conservação do meio ambiente. Por exemplo, a preocupação e redução quanto ao uso de recursos naturais, as emissões de gases de efeito estufa (CO2 e gás metano), a eficiência energética, a poluição e a gestão de resíduos e efluentes.

Uma companhia pode se adequar a essa categoria ao aderir a algumas práticas, tais como:

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Natura &Co e seu compromisso com a vida

A Natura &Co, por exemplo, é considerada uma das empresas mais sustentáveis do mundo e a primeira do setor de cosméticos pelo ranking Global 100. Desde 2007, a empresa se tornou carbono zero.

Junto à The Bakery Brasil, ela realizou seu maior desafio de inovação aberta com o objetivo de mapear tecnologias alternativas para eliminar o uso de plástico descartável em seu processo produtivo, bem como reduzir o descarte inadequado de embalagens.

Mais que isso, o grupo possui como estratégia corporativa o que foi nomeado de Compromisso com a Vida, em que se baseia em três pilares, sendo dois deles focados na questão ambiental:

  • Enfrentar a crise climática e proteger a Amazônia;
  • Abraçar a circularidade e a regeneração;
  • Defender os direitos humanos e ser mais humano.

Hoje, são 2 milhões de hectares de floresta amazônica conservados e US$ 59 milhões investidos em causas ambientais e sociais.

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Denise Hills – Diretora Global de Sustentabilidade Natura &Co América Latina, durante o Meetup “Sustentabilidade e impactos na sociedade”, realizado pela The Bakery Brasil.

Outro destaque é o iFood, considerado referência em ESG. A companhia atua ativamente para reduzir os impactos no meio ambiente, acabar com a insegurança alimentar e formar e empregar talentos. O iFood alcançou neutralidade nas emissões de carbono em suas entregas e conta com marcos ainda mais expressivos a serem cumpridos até 2025.

O que é ESG: S (Social)

A letra S diz respeito à relação de uma corporação com as pessoas que fazem parte dela e também com a comunidade. Aqui, entram ações como políticas e relações de trabalho, inclusão e diversidade, engajamento dos funcionários, treinamento da força de trabalho, direitos humanos, relações com comunidades, privacidade e proteção de dados.

Dentre as principais práticas que uma empresa pode ter para aderir a essa categoria estão:

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iFood: Projeto Potência Tech

O projeto Potência Tech, criado pelo iFood, é um exemplo de como uma empresa, por meio de um conjunto de ações, pode se adequar aos critérios ESG. A plataforma foi criada para apoiar a formação de profissionais de tecnologia. A iniciativa ocorre por meio de cursos gratuitos e programas de bolsas de estudos, com apoio à carreira e à entrada no mercado de trabalho de pessoas de perfil sub-representado.

A turma de 2021, por exemplo, contou com 400 pessoas formadas. Destas, 93% foram empregadas duas semanas após a formatura. O iFood tem como desafio chegar a 25 mil pessoas estudando e encontrando oportunidades no mercado de tecnologia.

Em 2022, o Potência Tech foi o vencedor da 2ª edição do Prêmio Notáveis CNN Brasil na categoria Tecnologia.

Nubank: Licença parental

Já o Nubank anunciou no segundo trimestre de 2022 o benefício da licença parental de 120 dias para os seus funcionários de todos os escritórios. Isso vale para a parentalidade de todos os gêneros e núcleos familiares. A licença maternidade, no Brasil, se mantém em 180 dias.

A ação mantém a imagem da marca que tem como um dos seus pilares construir um time diverso. Além disso, mostra o respeito e a empatia com as famílias no momento mais importante da vida de um casal, que é a chegada de um filho.

Natura: Instituto Natura

A Natura novamente é foco em nosso artigo para exemplificar sua preocupação com o social. O Instituto Natura, criado em 2010, tem como responsabilidade ampliar os investimentos em educação já feitos pela multinacional brasileira desde o ano de 1995. Essa iniciativa nasceu para atender crianças e jovens do nosso país.

Hoje, os compromisso da Natura estão focados na:

  • Alfabetização na idade certa via regime de colaboração;
  • Ensino médio em tempo integral;
  • Articulação com agendas prioritárias da educação;
  • Educação e mobilização para as líderes e consultoras de beleza Natura.

Em 2020, o projeto se expandiu para países da América Hispânica, mais precisamente para Argentina, Chile e México. Em breve, o instituto atuará também na Colômbia e no Peru.

O que é ESG: G (Governance/Governança)

A letra G está relacionada à administração da companhia, como a sua conduta corporativa, a relação com governos e a existência de um canal de denúncias.

Algumas ações que podem ser feitas para a governança são:

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Um exemplo é o compromisso que o Grupo Fleury assumiu de incluir mais mulheres nos cargos de liderança. Dessa forma, a empresa trouxe uma maior diversidade, representatividade e oportunidades iguais para os funcionários de ambos os sexos.

O grupo, por sinal, conta com uma mulher no cargo máximo da entidade. Trata-se da cardiologista Jeane Tsutsui, uma das duas únicas mulheres a ocupar o cargo de CEO de uma empresa do Ibovespa, principal índice acionário da bolsa de valores brasileira.

Recentemente, a instituição foi reconhecida e passou a integrar pela segunda vez o Índice Dow Jones de Sustentabilidade (DJSI), da Bolsa de Valores de Nova York, na carteira DJSI Emerging Markets. Assim, o Grupo Fleury se tornou a única empresa do setor de saúde nas Américas a fazer parte do índice.

Por que estar atento às ações ESG?

Cada vez mais investidores, consultores, bancos e fundos têm utilizado os índices ESG para avaliarem as empresas de acordo com seus impactos. Isso acontece não somente por conta do histórico já citado, mas também devido às mudanças na forma de consumir.

Atualmente, os clientes, principalmente das novas gerações, prezam não só por adquirir um produto ou serviço de qualidade. Eles também avaliam a postura da companhia em relação ao meio ambiente, à sociedade e à forma de gestão.

Todos esses comportamentos impactaram o mercado e ressaltam a importância das corporações a começarem a se preocupar com esse conjunto de práticas. Assim, esses hábitos ditam a sobrevivência das empresas ao longo do tempo, ou seja, aquelas que não se adequam, tendem a ter uma menor aceitação e, consequentemente, menor longevidade.

Não bastasse isso, as bolsas de valores ao redor do mundo têm incluído requisitos ESG ainda mais rigorosos para as empresas se manterem listadas. O que deve ser encarado com bons olhos, já que as vantagens do ESG são inúmeras.

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João Barreto – Diretor de Estratégia e Transformation Oficce do iFood, durante o Meetup “ESG e inovação aberta”, realizado pela The Bakery Brasil.

Para corroborar a afirmação de João Barreto, que em nosso Meetup ocupava o cargo de Diretor de Planejamento Estratégico e Sustentabilidade do iFood, um estudo publicado pela IBM intitulado Own Your Impact: Practical Pathways to Transformational Sustainability, com 3.000 CEOs entrevistados, mostrou que 51% desse total acreditam que o maior desafio para as empresas nos próximos dois ou três anos será a sustentabilidade.

Em 2002, 37% mais CEOs classificaram a sustentabilidade como uma das principais prioridades em comparação ao ano anterior. Outro dado relevante aponta que 83% desses executivos esperam que os investimentos em sustentabilidade produzam melhores resultados de negócios nos próximos cinco anos.

Vantagens do ESG

  • Maior atração de investidores;
  • Competitividade no longo prazo;
  • Transparência assegurada;
  • Menor potencial de risco para o investidor;
  • Potencial incremento do valuation;
  • Reduz custos e desperdícios;
  • Fideliza o consumidor;
  • Fortalece a imagem positiva da corporação.

ESG no Brasil

Por ser a nação que possui a segunda maior área florestal do planeta, o Brasil está sempre em meio a debates de sustentabilidade. Dados mostram que o país está atento à ascensão do ESG e percebendo que é essencial investir em negócios que vão além do lucro.

Um estudo divulgado no primeiro trimestre deste ano pelo site do jornal Valor Econômico mostrou que a busca pelo termo ESG aqui no Brasil quase triplicou entre fevereiro de 2021 e fevereiro de 2022. Isso significa um aumento de 150% em relação ao mesmo período anterior, o que coloca o país como o responsável pelo maior número de pesquisas da sigla em questão na América Latina. O levantamento, solicitado pelo Valor, foi realizado pela ferramenta Google Trends.

Atualmente, a sustentabilidade já é critério para definir até mesmo aportes financeiros em todo o mundo. Por aqui, isso não é diferente, claro. De acordo com uma pesquisa realizada pela plataforma CapTable, que reuniu 333 investidores nacionais, a sustentabilidade já é o quarto critério de análise no que diz respeito ao potencial de rentabilidade de uma startup.

Para 41% dos investidores, parte do que corresponde à sigla ESG precisa estar alinhado com as suas expectativas. Os critérios anteriores são: modelo de negócio é eficaz (88%), escalabilidade (76%) e time de empreendedores eficiente (61%). Ou seja, não se adequar a esse movimento pode representar perda de capital.

Inovação aberta e ESG

Podemos perceber que o ESG não precisa estar necessariamente atrelado aos quesitos ambientais. É possível também tratar de soluções para melhorar ou implantar processos internos ligados às questões de RH, logística, energia, entre outros.

Porém, desenvolver processos de maneira totalmente interna pode ser custoso, demorado e arriscado. Por isso, diversas corporações compreenderam que trabalhar com startups ligadas às questões de impacto é o caminho mais eficiente e rápido para trazer soluções ESG. Por essa razão, optam pela inovação aberta para se adequar às práticas.

Para essas grandes empresas, o benefício está em investir em uma solução que já foi testada e aprimorada pelo empreendedor. Isto é, a companhia passa a ter uma iniciativa ESG sem precisar desenvolver um projeto do zero. Já para a startup, a principal vantagem é o investimento recebido, que aumenta o seu potencial de crescimento. Fora isso, também há o ganho com a troca de experiência e devido à expertise da corporação.

A conclusão é que não há mais como estar alheio a tudo o que envolva as questões relacionadas ao Ambiental, Social e Governança. Seja uma corporação tradicional ou uma startup, o ESG deve ser uma pauta constante entre os líderes, gestores, executivos e investidores.

Se você tem alguma dúvida sobre o assunto ou queira saber como a sua empresa pode incorporar o ESG para o seu negócio, entre em contato com a The Bakery Brasil. Podemos ajudá-lo(a) nessa solução com nossa expertise em inovação aberta.

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