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Os riscos da inovação

Mariana Alves

Como explicar para pessoas que estão preocupadas apenas com o preço e com o lucro de seu portfólio atual que a inovação é a chave para o crescimento, mesmo contendo diversos riscos? Este artigo explica quais são os riscos da inovação e como gerenciá-los, de forma a incentivar que a inovação aconteça.

No mundo dos negócios, contratempos e mudanças são comuns. Porém, a quantidade de obstáculos, que já era alta, aumentou consideravelmente nos últimos tempos, especialmente durante o atual contexto da pandemia.

Sustentabilidade, desenvolvimento tecnológico e transformação digital são questões que trazem um conjunto de mudanças legislativas, regulatórias e comportamentais, as quais precisam ser acompanhadas, e a liberação de recursos e investimentos, bem como a implantação de novos processos. Assim, o acúmulo dessas exigências acaba interferindo na capacidade do time de desenvolver novas fontes de receita e diversificar os produtos e serviços existentes.

Como consequência, as empresas rapidamente perdem relevância no mercado e enfrentam uma queda nos lucros, principalmente quando comparadas com os seus concorrentes que exploram as novas oportunidades de forma consistente e ganham vantagem competitiva.

Uma grande quantidade de corporações demonstraram que o pensamento de curto prazo e demoras nas respostas às mudanças levam ao fracasso. A crença de que repetir as mesmas ações com consistência gerará resultados maiores foi extinta. Na verdade, a repetição pode levar à extinção.  Alguns exemplos mundiais conhecidos são as histórias da Blockbuster, da Kodak, do Myspace e de inúmeras outras.

A inovação carrega um risco calculado. Enquanto o investimento em alguns projetos pode não gerar retorno, outros projetos podem se mostrar altamente lucrativos.  

Infelizmente, o risco detém muitas companhias de investir em inovação, especialmente em tempos de incertezas, nos quais as corporações, instintivamente, focam em evitar perdas.

Entretanto, é necessário que a organização não deixe de lado o olhar no médio e no longo prazo, que exigem inovação, diversificação, diferenciação e crescimento. Os negócios precisam oferecer espaço para serem reinventados constantemente, já que a maior vantagem competitiva está na criação da cultura da inovação. Ela, por sua vez, leva à criação de novos serviços, produtos e fontes de receita.

Empresas inovadoras

A possibilidade de sucesso de um negócio diante de incertezas e contratempos mora na agilidade. O desafio está na persistência que explorar o mercado e criar soluções e produtos de valor exige. A  Nintendo, por exemplo, começou produzindo cartas de jogos, em Kyoto, em 1889, e se estabeleceu como uma grande empresa na indústria de jogos. No mundo todo, foram vendidos mais de 5 bilhões de videogames e mais de 779 milhões de unidades de aparelhos. A receita para o sucesso, para a Nintendo, é sua cultura da inovação da empresa, que “continua a pensar fora da caixa, criando projetos que podem ser menores em escala, mas com grandiosos em impacto.” A corporação demonstra uma abordagem empreendedora ao arriscar-se com várias pequenas apostas para seus variados projetos. Alguns deles não deram certo e não converteram em vendas, enquanto outros se mostraram altamente lucrativos.

Por outro lado, a Atari, uma das principais concorrentes da Nintendo, parou de inovar com a mesma velocidade em que inovava antes e, por isso, perdeu espaço no mercado para a própria Nintendo e para a Sega, indo à falência em 2013. Não há dúvidas que inovar é arriscado, entretanto, há um risco ainda maior em não inovar – essas organizações ficam estagnadas enquanto aquelas que permanecem ágeis crescem cada vez mais.

No contexto da aviação brasileira, dois exemplos de empresas que sofreram o alto custo de não inovar foram a VASP e Varig. Ambas tiveram problemas financeiros, fazendo com que a VASP declarasse falência e a Varig fosse comprada por concorrentes.

O principal fator que levou a essa situação foi a administração conservadora das empresas, as quais não acompanharam as mudanças impostas pela chegada da internet. Esse foi um grande marco na aviação, pois revolucionou o modo como as pessoas compravam suas passagens. Então, ao não se fazerem presentes no mundo digital rapidamente, as duas ex-gigantes deixaram de existir.

Como se comportam as empresas inovadoras

A atual circunstância da pandemia impõe novos desafios a todo momento. Entretanto, com eles, caminham grandes oportunidades. Tornou-se necessário reavaliar perspectivas e estratégias, já que os consumidores estão repensando suas vidas e caminhos diariamente. Essa constante revisão por parte das empresas permite que elas se mantenham ágeis e competitivas, apesar dos constantes contratempos enfrentados pelo mercado.

Empresas como a Tesla, que tem a inovação em seu DNA, são inspirações para a adoção de uma abordagem empreendedora como um pilar fundamental para o sucesso. Ela está, de forma contínua, investido em uma grande diversidade de indústrias e produtos, assegurando a diversificação em seus produtos e serviços. Enquanto a população geral enxerga a empresa como um negócio de tecnologia ou fabricante de carros, a Tesla tem, na verdade, expandido o seu mercado, protegendo-se de possíveis crises e contratempos. A corporação produz telhas de vidro, baterias, painéis solares, chips de computador, sistemas de entretenimento e até tequila.

Mais recentemente, Tesla anunciou ter comprado 1,5 bilhões de dólares em bitcoin para ter “maior flexibilidade para diversificar e maximizar seu retorno financeiro futuro”. De acordo com a empresa, eles também passarão a aceitar pagamentos em  bitcoin, tornando-se a primeira companhia automotiva a fazer isso. Embora a mudança diversifique o portfólio de investimentos da empresa, a adoção da moeda como método de pagamento demonstra uma abordagem com visão de futuro sobre como as criptomoedas, ou, moedas digitais, poderão ser utilizadas.

A Tesla está atenta aos riscos relacionados por ser a pioneira. Por isso, reconhece que “a prevalência de tais ativos é uma tendência relativamente recente e sua adoção por investidores, consumidores e empresas, a longo prazo, é imprevisível.” Isso demonstra uma abordagem empreendedora, realizando apostas relativamente pequenas em uma variedade de indústrias, produtos e métodos de pagamento, o que consolida seu posicionamento no futuro.

Porque correr os riscos de inovar:

Considerando a exploração das gigantes na inovação, como os exemplos da Tesla e da Nintendo, e os fracassos da Atari, fica claro que ter a inovação como um pilar é fundamental para a longevidade e o sucesso nos momentos de mudanças.

Entretanto, uma das barreiras que as corporações enfrentam ao investir em inovação é administrar o risco de uma forma medida e controlada para garantir que seja possível continuar investindo de uma maneira sustentável.

Os riscos da inovação requerem abordagem e metodologia específicas. Como as empresas podem administrar esses dois fatores para alcançar resultados? A The Bakery apoia as empresas na administração efetiva dos riscos ao discutir: como construir um pipeline inovador; como superar os obstáculos para a criação de processos de inovação repetíveis; como calcular a relação entre o sucesso e o fracasso para o seu pipeline de inovação. Tópicos que serão discutidos nos próximos conteúdos.

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